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Aromaterapia: Fragrâncias no ar – Lavanda

Por Márcia Watanabe Hitaka

Embora o termo Aromaterapia tenha sido empregado pela primeira vez no século XX, a sua origem é mais remota. Arqueólogos encontraram vestígios de diversas plantas de conhecido valor medicinal em necrópoles e sítios arqueológicos do homem primitivo. É uma longa história, que passa pelos egípcios, chineses, gregos e romanos.

Atualmente, a aromaterapia é contextualizada como a ciência que utiliza substâncias aromáticas naturais – os óleos essenciais – para fins terapêuticos, visando a harmonização das funções vitais, mentais, emocionais e energéticos.

Os óleos essenciais são substâncias complexas, extraídas de folhas, flores, talos, caules, haste, pecíolo, casca ou raízes de plantas. Há vários tipos de extração: destilação a vapor, prensagem e obtenção a frio, solventes, enfloragem, por meio de dióxido de carbono ou hidrofluorcarbonados. O óleo extraído é constituído por centenas de substâncias químicas, como álcoois, aldeídos, ésteres, fenóis e hidrocarbonetos. Essa constituição faz que sua ação no organismo tenha atuação terapêutica: fisiológicas (estimulante e/ou sedativo), farmacológicas (antifungicida, antiséptico) e psicológicas (força, insegurança, medos).

Convenhamos, quem, em algum momento, não foi “tocado” por um aroma? O cheiro convidativo de um café fresquinho, o pão sendo assado, as mais variadas nuances aromáticas das flores, o cheiro da casa depois da faxina, o perfume do amado(a). Para tudo isso, há uma explicação, vamos conhecer o caminho que o aroma percorre. Ao aspirarmos  um óleo essencial, este é absorvido pelos nervos olfativos, indo diretamente para o cérebro, onde atinge a região do hipocampo, relacionada ao comportamento, à memória e à emoção. Por esta propriedade, os óleos essenciais são muito indicados no tratamento de doenças psicossomáticas. Ao atingir outra região do sistema nervoso, o sistema límbico, o aroma segue para três regiões: o hipotálamo, que controla a agressividade e os impulsos motivacionais; a glândula pituitária, que tem ação direta sobre as glândulas supra-renais e as glândulas sexuais. Aumentam também a circulação periférica do corpo, alteram o comportamento da corrente sanguínea, do aparelho digestivo, urinário, cardiovascular, pulmonar e a secreção de hormônios.

Devido a amplitude de efeitos no organismo humano, bem como a abrangência de possibilidades de tratamento, a aromaterapia é muito mais do que uma simples terapia dos cheirinhos.

Há uma lista de cuidados que envolvem idosos, crianças, grávidas, lactantes, hipertensos. Convém consultar um aromaterapeuta e/ou naturólogo, para as devidas orientações quanto a escolha do óleo essencial, seu uso e posologia.

Para ilustrar este texto, achei que seria interessante discorrer sobre um óleo essencial, vamos conhecer a Lavanda. Uma curiosidade: é o óleo mais estudado mundialmente, contém 167 componentes químicos conhecidos.

Denominação botânica: Lavandula officinalis e/ou angustifólia.

Processo de extração: destilação a vapor. Necessários 100 kg para obtenção de 1 kg de óleo

Nota perfumística: saída/meio

Persistência da nota inicial: média

Descrição olfativa: fresco, doce, floral, herbal, levemente frutal.

Principais componentes químicos: ésteres, álcoois, óxidos e cetonas.

Indicações: antifúngico, bactericida, analgésico(dores musculares e articulares, dores de cabeça e enxaqueca), calmante e sedativo(ansiedade, insônia, taquicardia, palpitação e depressão), cicatrizante(queimaduras, feridas, úlceras varicosas, acne e ferimentos em geral).

Efeitos emocionais: Provém do latim lavare, significa lavar, limpar. Os antigos romanos queimavam a planta para purificar o quarto dos doentes. Pela leveza que transmite, ajuda a soltar pensamentos fixos e refresca a cabeça quente, restabelecendo o equilíbrio mental. Reforça a criatividade e a facilidade de decisão para direcionar os rumos da vida. Pode ser utilizada tanto nos estados de impaciência, insônia, nervosismo ou estresse, quanto nos estados depressivos, de desânimo e de esgotamento físico e mental.

Contra-indicado para aqueles que estejam tomando medicação que contenham ferro e/ou iodo.

Para quem se interessou pelo assunto e quer conhecer um pouco mais, alguns autores indicados:

Corazza, S. Aromacologia – uma ciência de muitos cheiros. São Paulo: Senac, 2002.

Davis, P. Aromaterapia. São Paulo: Martins Fontes, 1996.

Silva, A. R. Tudo sobre aromaterapia. São Paulo: Roca, 2001.

Ulrich, H. N. Manual prático de aromaterapia. Porto Alegre: Premier, 2004.

Márcia Watanabe Hitaka é naturóloga. Para conhecê-la um pouco mais, acesse: Profissionais.

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2 Respostas

  1. Camila

    Vc poderia falar mais sobre o óleo de palmarosa?

    Obrigada

    07/07/2010 às 21:29

    • Camila, está anotado. Logo estarei postando no Blog.

      07/07/2010 às 22:46

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