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Histórico da quiropraxia

Por Ozemar Costa

Manuscritos Chineses e Gregos de 2.700 e 1.500 a.C. mencionam formas rudimentares de manipulação e de manobras articulares nos membros inferiores do corpo humano a fim de aliviar dores lombares. Hipócrates (460 – 377aC), “pai da medicina”, publicou textos em que detalha: “adquira mais conhecimento sobre a coluna vertebral, pois é a origem de muitas doenças”.

A Quiropraxia moderna começou a ser organizada e fundada nos Estados Unidos no ano de 1895 pelo canadense Daniel David Palmer.

Palmer foi autodidata – como muitos na virada do século. Seus estudos incluíam naturopatia, alopatia, medicina eclética, homeopatia, fisioterapia e osteopatia. Era assíduo leitor de jornais científicos, especialmente os que abordavam Anatomia e Fisiologia Humana, adquirindo um excelente conhecimento sobre saúde e Medicina. Desde o princípio, Palmer fazia parte do grupo de profissionais que buscava uma medicina livre de medicamentos.

O primeiro ajuste quiroprático registrado foi realizado por Palmer em 18 de setembro de 1895. Harvey Lillard, um funcionário do hospital onde ele trabalhava, relatou que há 17 anos, ao fazer um esforço para se curvar, ouviu um estalido em suas costas e que quase imediatamente perdeu a audição. Após tentar tratá-lo, sem que houvesse qualquer melhora, com seus toques de terapeuta magnético, Palmer examinou-o mais detalhadamente e encontrou uma saliência na região da torácica superior e suspeitou que pudesse ser uma vértebra proeminente por estar fora de “alinhamento” e, consequentemente “pinçando” o nervo envolvido com a audição. Sem sucesso, ele tentou várias vezes empurrar a vértebra, até que um dia, com uma admitida não-refinada técnica ele ajustou a vértebra com um empurrão firme o qual provocou um ligeiro estalido. Com as palavras de Palmer: “me pareceu que a vértebra que parecia estar fora do lugar, finalmente se encaixou”.  Após este evento Lillard começou a ouvir os sons que vinham da rua e depois de várias sessões, muito de sua audição estava restaurada.

Este evento seria a primeira manipulação articular. Logo depois disso, Palmer foi procurado por um paciente cujo problema cardíaco não estava respondendo ao tratamento médico convencional. Palmer examinou sua coluna e encontrou “uma vértebra deslocada pressionando os nervos que serviam o coração”. Ele ajustou a vértebra em questão e a condição começou imediatamente a melhorar.

Após esse segundo episódio com resultado positivo Palmer começou a se questionar que se essas duas condições tão diferentes, como uma deficiência auditiva e um problema cardíaco, se curaram com o realinhamento da vértebra, “porque outras doenças não poderiam ter causa semelhante?” Palmer passou a se dedicar ao estudo do que tinha ocorrido, e ao final de alguns meses, estabeleceu um novo sistema de cuidado da saúde a “Filosofia, Ciência e Arte da Quiropraxia”. Termo derivado de duas raízes gregas: Quiro – mãos e Práxis – praticar “praticar com as mãos”.

Esse início causou surpresa e muito excitamento na sociedade da época, principalmente quando outras histórias “milagrosas” tornaram-se comuns, e as controvérsias que cercam a Quiropraxia começaram. No entanto, muitas das “curas” que aconteceram foram, na verdade, erros médicos no diagnóstico inicial. Uma vez que em uma época com poucos recursos para exames o médico, por exemplo, podia formular o diagnóstico de que o paciente tinha um problema cardíaco, quando, na verdade, a dor no peito era resultado de uma dor intercostal e não um real problema cardíaco.

Palmer era bastante reservado sobre sua descoberta, pois temia que outros pudessem copiá-la tornando-se competidores. Para isso, passou a trabalhar secretamente, em sua sala às escuras e às portas fechadas e usando pesadas cortinas cobrindo as janelas de seu consultório para impedir que outras pessoas observassem suas palpações e manipulações, observação essa que ele tornava impossível, através de jogo de espelhos, até para quem estivesse dentro da sala. No entanto, depois de um incidente em 1897, ele repensou sua postura e decidiu que iria ensinar a sua arte.

Com esse objetivo, ele abriu, em 1897, a Palmer School and Infirmary of Chiropractic, a primeira escola de Quiropraxia no mundo, e começou a ensinar exclusivamente a Quiropraxia. Em 1902 seu filho, Bartlett Joshua Palmer, formou-se doutor em quiropraxia e passou a trabalhar com o pai. Alguns meses depois Joshua foi indiciado por praticar medicina sem licença, aumentando as pressões sobre a Quiropraxia. Em 1906, o próprio Palmer vai a julgamento e é condenado a pagar $350 de fiança.

As preocupações de Palmer sobre possíveis competições futuras se comprovaram, pois vários dos primeiros graduados, fundaram suas próprias escolas, além de começarem a praticar “novas técnicas”.  A Quiropraxia começa a se dividir, os ataques a Palmer se tornam freqüentes e quase todos os graduados em Quiropraxia são indiciados. Esse cenário estimulou Joshua a fundar a UCA (Universal Chiropractic Association) para defender a profissão.

O quadro só muda quando em 1907, um dos estudantes da Palmer College, foi preso por “exercício sem licença de medicina, cirurgia, e osteopatia” e pelo uso da palavra “doutor”. O advogado contratado para defendê-lo usou a estratégia de primeiro provar que o acusado não prescrevia medicamentos e nem realizava cirurgias, somente utilizando as mãos para tratar os doentes, não podendo assim ser acusado de exercício ilegal da medicina. Segundo sua tese, ele poderia, no máximo, ser acusado de prática ilegal de osteopatia. Para qual o advogado tratou de demonstrar que havia distinção entre as duas formas de “ajustes articulares”. Para a osteopatia, a base fisiológica está no papel preponderante da circulação sangüínea. Já para a Quiropraxia esse papel é exercido pelos nervos.  Quando o juiz concordou com sua tese, sem perceber ele criou uma importante jurisprudência: arte médica não significa medicina.

Essa decisão foi histórica: o quiroprata não pratica a medicina ou a osteopatia, mas sim uma distinta forma de promoção da saúde, ou seja, a velha definição de Palmer: a “Filosofia, Ciência e Arte da Quiropraxia”.

Essa vitória marcou o início de um longo relacionamento entre esse advogado e a Quiropraxia. Até o final de sua vida, em 1928, ele estabeleceu as bases legais da profissão, enquanto que o filho de Palmer lutava pelo seu reconhecimento científico. Joshua salvou a reputação e as finanças da Palmer School, construindo uma instituição proeminente, e contribuindo decisivamente para a aceitação da Quiropraxia pelo público e pelos legisladores. Graças ao seu esforço incansável, a profissão de quiroprata sobreviveu aos ataques da comunidade médica. Ele morreu em 1961, não antes de ver a Quiropraxia se transformar no maior sistema de cuidado de saúde não-medicamentoso dos EUA.

No ano de 1988 foi fundada a Federação Mundial de Quiropraxia, tendo 70 associações de diversos países como membros associados. Em 1997, essa federação passou a ter relações oficiais com a Organização Mundial da Saúde.

Atualmente a Quiropraxia é estabelecida em mais de 60 países, havendo aproximadamente 100 mil profissionais no mundo, sendo que 69% destes encontram-se em território norte-americano. O que coloca a Quiropraxia, nos países desenvolvidos, entre as três maiores profissões na área de saúde, junto com a Medicina e Odontologia, e de longe, como a maior dentre todas as medicinas naturais.

HISTÓRICO DA QUIROPRAXIA NO BRASIL

No Brasil, a Quiropraxia está em processo de regulamentação, ao contrário de muitos outros países onde já se encontra estabelecida.

Em 1992 em São Paulo, foi fundada a ABQ (Associação Brasileira de Quiropraxia) reconhecida pela Federação Mundial de Quiropraxia e pela Organização Mundial da Saúde. Através da ABQ existem aproximadamente 400 quiropraxistas trabalhando em território nacional.

Ozemar Costa é quiropraxista. Para conhecê-lo um pouco mais, acesse profissionais.

 

(Crédito da imagem: robertogama.com)

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