Espaço Naturológico | Terapêutico | Preventivo

Massoterapia I: Introdução, Histórico, Ciclo da dor

 

Por Márcia Watanabe Hitaka


Leitores,

quando comecei a rascunhar este texto, tinha toda a intenção de faze-lo curto, leve e ágil.

Conforme ia desenvolvendo o tema, lembrava a todo o momento de algum complemento, e assim foi crescendo, recheado de partes técnicas e fisiológicas. Peço paciência na leitura, talvez, um pouco densa e monótona, e ainda, tive que dividi-lo em duas postagens.

Dentro da minha área de atuação profissional existem várias terapias que, num primeiro momento, instigam ora a curiosidade ora a incredulidade ou o desdém.

Infelizmente, para alguns, a massoterapia ainda carrega o estigma de massagem erótica. Particularmente, tenho algumas péssimas experiências com abordagem de conotação sexual. Outros profissionais da minha área, tanto homens, como mulheres, comentam que em algum momento, foram interrogados sobre qual era o preço do adicional. É lamentável que situações assim ainda ocorram.

Assim, ao escrever este tema, percebi a importância de descrever o que um(a) massoterapeuta lê, estuda e treina por meses (algumas especializações, levam anos) para que possa efetuar uma massagem terapêutica.

Na escolha, muitas pessoas ao procurarem este profissional, levam tão somente em consideração o preço cobrado pela sessão: querem o mais barato. Importante saber um pouco mais: indicação de um conhecido, currículo e postura profissional, a especialização, local de atendimento adequado, entre outros.

Como em toda profissão, existem os dedicados e aqueles que se contentam em espalhar o creme.

A massoterapia (incluo as especializações, por exemplo: drenagem linfática, relaxante, shiatsu, etc.) é tanto indicada para tratamentos terapêuticos, complementares ou preventivos. Infelizmente, grande parte da população ocidental só corre para o massoterapeuta quando já está todo torto, inchado, cheio de dores e, não raro, sequer conseguem levantar direito da cama. E creiam, esperam que o profissional faça o milagre do desaparecimento de todos as dores que acometem o corpo, de preferência com uma única sessão, sem se comprometerem em fazer a parte que lhes cabe, que seria uma reeducação: postural, alimentar e emocional; alongamentos diários, atividades físicas regulares, enfim, cuidar mais de si, não delegando a responsabilidade integral para terceiros.

Peço que da próxima vez que receberem uma massagem, ampliem o horizonte. Dêem espaço para os outros sentidos. Sintam a troca energética que ocorre, sintam o corpo que se recupera e todas as nuances psicológicas e emocionais que se restauram.

A HISTÓRIA DA MASSAGEM

A referência mais antiga aparece no Nei Ching, um texto médico chinês escrito num período anterior a 2.500 a.C. Escritos posteriores sobre a massagem foram desenvolvidos por eruditos e médicos, como Hipócrates, no séc. V a.C., Avicena, no séc. X d.C. e Ambrose Pare, no séc. XVI d.C. A seguir, um breve histórico sobre a massagem:

  • Os hindus, já em 1.800 a C, usavam a massagem para redução de peso, indução do sono, combate à fadiga e relaxamento.
  • Século XVI: retomada dos estudos sobre massagem em conjunto com os avanços nas pesquisas em anatomia e fisiologia humana.
  • Século XIX: surgimento de vários estudiosos sobre massagem.
  • 1776 – 1836: Pehr Henrik Ling, sueco e grande estudioso sobre massagem, com influente contribuição para o avanço desta técnica.
  • 1839 – 1901: Johan Mezger, holandês que levou a massagem para conhecimento da comunidade cientifica médica.

Na obra de Cassar (2001, p. 1) a palavra terapêutico é definido como:

“[…] de, ou relacionado ao tratamento ou cura de um distúrbio ou doença. Ela vem do grego therapeutikos e relaciona-se ao efeito do tratamento médico, therapeia. A palavra massagem também vem do grego, masso, que significa, amassar. Hipócrates usou o termo anatripsis, que significa, friccionar pressionando o tecido, e este foi traduzido, posteriormente, para a palavra latina, frictio, que significa, fricção”.

A técnica de massagem pode ser definida como: a manipulação dos tecidos moles do corpo para fins terapêuticos.

O CICLO DA DOR

Cassar (2001, p. 40), explana a atuação da massagem sobre a dor da seguinte forma:

“[…] a massagem é, talvez, um dos métodos mais antigos para o alivio da dor. Um possível mecanismo pelo qual a massagem causa analgesia é a perturbação do ciclo da dor (Jacob, 1960). Este pode ser descrito como uma contração muscular prolongada que leva a uma dor profunda dentro do próprio músculo. A dor, por sua vez, resulta de uma contração reflexa do mesmo músculo. Tem sido sugerido que a massagem ajuda a romper o ciclo da dor por seus efeitos mecânicos e reflexos e pela melhora da circulação. Relaxar e alongar o tecido muscular reduz a contração prolongada. Além disso, a dor é bloqueada pelo mecanismo de Portal da Dor, que cessa contrações reflexas adicionais“.

A explanação sobre o Portal da Dor estará no texto: Massoterapia II – A massagem como tratamento.

ESTRESSORES

O corpo está sujeito há uma série de estressores. São classificados em quatro tipos: químicos, físicos, emocionais e congênitos (CASSAR, p.34).

Estressores químicos:

  • toxinas resultantes de infecção aguda ou crônica;
  • ação de bactérias através de corte, queimaduras e machucados;
  • doença visceral que geram toxinas, as quais atuam como irritantes, causando ou intensificando alterações somáticas nas áreas supridas pelo mesmo segmento da coluna;
  • venenos orgânicos como ácidos, açúcares, álcool e tabaco;
  • substâncias químicas como drogas, aditivos e corantes;
  • desequilíbrios metabólicos como reações alérgicas e fatores endócrinos; e
  • desequilíbrio nutricional. Ex: privação do ácido ascórbico, que cria uma deficiência no tecido conjuntivo.

Estressores físicos:

  • trauma, causado por acidente ou tensão repetida dos músculos;
  • exercícios excessivos ou inabituais;
  • microtrauma, provocado por tensões posturais ou ações repetitivas;
  • acidente vascular cerebral – um derrame que leva à obstrução do suprimento sanguineo para as células do tecido;
  • edema;
  • temperatura excessivamente baixa ou alta;
  • compressão nervosa – desalinhamentos da coluna ou compressão do nervo por músculos;
  • lesões da coluna – crônicas ou agudas – e desequilíbrios estruturais;
  • alterações artríticas;
  • atividade muscular deficiente: espasmos, espasticidade, contraturas; e
  • alterações no posicionamento visceral.

Estressores emocionais:

  • estados de ansiedade;
  • medos; e
  • raiva, etc.

Fatores hereditários e congênitos:

  • Hemofilia.
  • Espinha bífida.

 

No mês de abril, segunda parte deste post: Massoterapia II – A massagem como tratamento.


Bibliografia consultada:

ARIELI, S.L.E. Como funciona o seu corpo. São Paulo: Quark do Brasil, 1998.

CASSAR, M.P. Manual de massagem terapêutica. São Paulo: Manole, 2001.

DARÉ, P., EBELE, R. Apostilas da cadeira de Massoterapia – material não publicado –  curso de Naturologia Aplicada – Unisul: 2006.

FRITZ, S. Fundamentos da massagem terapêutica. São Paulo: Manole, 2002.

SINGI, G. Fisiologia dinâmica. São Paulo: Atheneu, 2001.

 

Márcia Watanabe Hitaka é naturóloga. Para conhecê-la um pouco mais, acesse Profissionais.

 

(Crédito da imagem: simone.martin.blog.uol.com.br)

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Uma resposta

  1. Camila

    Minha vontade é de fazer um banner deste post para que todo mundo lesse. É indignante que as pessoas ainda se preocupem com o preço e não com a qualidade do serviço!
    Ótimo texto, parabéns!

    22/03/2011 às 12:31

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