Espaço Naturológico | Terapêutico | Preventivo

Arquivo para junho, 2012

Estrangeirismo

 

Leitores, que chique! A nossa colaboradora, Daiana Strada, virou agora, a nossa correspondente internacional.

 

Por Daiana Strada

 

Sabe qual é a melhor coisa de estar num país diferente???

-Poder errar!

Não precisar agradar a ninguém, a não ser, você mesmo. Porque você não conhece a língua, a cultura, os costumes e PODE sim, errar!

Diferente de quando você está no seu país.

E não me venha ser hipócrita em falar que só se importa com isso quem quer, porque, querendo ou não, nós fazemos nossas escolhas de acordo com o ambiente. Se você for num barzinho na beira da Lagoa da Conceição, você não irá de salto agulha com brilhos e não esperará talheres de prata.

Mas, e quando você não sabe pra onde está indo? Você pode errar.

O que está subentendido para os nativos, precisa ser explicado para os estrangeiros e ninguém vai rir da tolice de não saber algo “óbvio”. Porque quando você fala que você não é do lugar, há um “acolher” na frase de cada um. Todos querem te ensinar, querem te mostrar o que tem de melhor no seu lugar e com muita paciência.

Aonde quero chegar?

Não na crítica de que não devemos nos preocupar com o que vestir ou como se portar nos lugares e blá blá blá. Não! Temos que nos adequar! Temos que nos esforçar para nos adequar.

O que eu quero mostrar é que talvez falte um pouco de “estrangeirismo”. De se sentir estrangeiro e olhar para o outro da mesma forma. Afinal, somos todos estrangeiros uns para os outros. Então, por que não tratar as pessoas com tolerância, acolhendo suas dúvidas com paciência e entusiasmo. Pois também aprendemos com a pergunta alheia.

Sim, a pessoa ao seu lado está além das fronteiras do seu entendimento, está além das fronteiras da sua psique, porque ela é um ser único. E você, é outro ser único.

E estamos todos aprendendo a viver um no mundo do outro.

 

Daiana Strada é naturóloga, pós-graduanda em Acupuntura. Para conhecê-la um pouco mais, acesse Profissionais.

 

 

(Crédito da imagem: D. Strada – Ocean Beach/San Diego)

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Culinária japonesa: Miso shiru

 

Por Márcia Watanabe Hitaka

 

Resolvi escrever este post depois que várias interagentes me pediram receitas de como preparar um Miso shiru.

 

O que é?

Miso shiru é uma tradicional sopa japonesa, temperada com o miso – pasta de soja fermentada.

No Brasil, costuma-se encontrar 2 tipos de miso: o vermelho (Aka miso) e o marron (Shiro miso). Na tampa da embalagem, vem descrito o tipo. Essa diferença deriva do tempo da maturação, temperatura, tipos de soja utilizados, entre outros. Talvez em lojas importadas, possa-se encontrar outros tipos, com a adição de certas algas marinhas, bem saborosos.

No Japão, tradicionalmente, o miso shiru é servido em todas as refeições, inclusive no café da manhã.

Ensinarei um passo a passo, com uma receita básica para o caldo, aprendida com a minha avó, Aiko.

 

Medidas: para cada tigela de água (170 ml), temperar com 1 colher (de café) de miso.

Miso shiru com tofu (conhecido como queijo de soja), para 4 pessoas – Em uma panela, colocar 3 tigelas de água (510 ml) para ferver. Acrescentar um pouco de tofu cortado em cubinhos. Deixe cozinhar por 5 minutos. Ao final do cozimento, desligue o fogo e acrescente 1 tigela de agua morna, com o miso previamente dissolvido. Misture. Sirva quente com cebolinha finamente picadas por cima. Segundo a minha avó, o miso não deve ser fervido, ele sempre é acrescentado ao final do cozimento para que não haja alteração no sabor.

Caso goste ou queira experimentar, pode-se acrescentar Hondashi (tempero a base de peixe Bonito). Para a medida de 680 ml (para 4 pessoas), colocar 1 colher (de café) de Hondashi no momento do cozimento.

 

Criatividade – utilize legumes, algas, macarrão, verduras em seu miso shiru. Aproveite as hortaliças da estação. Gostamos muito de misturar um pouco de cenoura, batata (ou inhame) e aspargo. Corte tudo em cubinhos e siga o passo a passo da receita de tofu (sem o tofu). Sirva quente com cebolinha picada.

 

O miso é versátil. Além do caldo, pode ser utilizado também como tempero para molhos e carnes. A medida de 1 colher (de café) para cada 170 ml é a medida que utilizamos em casa. Experimente e faça adaptações ao seu paladar.

 

 

 

Márcia Watanabe Hitaka é naturóloga, pós-graduanda em Acupuntura. Para conhecê-la um pouco mais, acesse Profissionais.

 

 

(Crédito da imagem:  M. W. Hitaka)

 


Aromaterapia – Perfil: Cipreste

 

Por Márcia Watanabe Hitaka

 

Denominação botânica: Cupress sempervirens

 

Processo de extração: Destilação a vapor das folhas e pinhas. Necessários 100 kg de cones e madeiras para extrair 1 kg de óleo essencial.

 

Nota perfumística: meio

 

Persistência da nota inicial: média

 

Descrição olfativa: fresco, herbal, balsâmico, levemente acre

 

Principais componentes químicos: furfural, d-pineno, d-canfeno, cimeno, d-terpineol, cânfora cipreste, silvestreno, sabinol, mirceno, careno.

 

Indicações: Processos de desintoxicação do organismo, estimula a produção de hormônios, em edemas, enurese noturna, hemorragias na gengiva e nasal, crises biliares, retenção de líquido, celulite, pele oleosa, anti-séptico para os pés e axilas, tônico do sistema circulatório, repelente de insetos.

 

 Efeitos emocionais: transmite energia e força. Indicado para pessoas que não possuem mais estímulos suficientes ou sentido de viver. Fortalece o espirito de luta para alcançar suas metas. Desânimo.

 

Cuidados: Não utilizar durante a gravidez e em crianças. Nunca massagear sobre as varizes.

 

 

História – Davis (1996) nos traz as seguintes informações:

  • Elemento familiar nas pinturas de Cézanne e Van Gogh;
  • Árvore associada aos cemitérios. Uso que talvez derive do fato de que tanto os antigos egípcios como os romanos consagravam a árvore a seus deuses da morte e do mundo subterrâneo;
  • A palavra sempervires, presente em seu nome cientifico, significa “sempre-vivo”. É possível que o verdume perpetuo das arvores tenha sido usado também como símbolo da vida após a morte.

Corazza (2002), nos acrescenta, as seguintes informações:

  • Como a madeira é praticamente imune a putrefação, os antigos egípcios a utilizavam na construção de sarcófagos;
  • No Tibete, o incenso de cipreste é usado para purificação.

Relatos sobre a utilização: Utilizei-o em sessões de massoterapia, misturado em um creme para massagem corporal. A pessoa passava por uma situação de luto. Infelizmente esse período já se arrastava há anos. A simples menção ao fato, as lagrimas vinham. Sentia também, muitas dores no corpo, desanimo e cansaço. Ulrich (2004), coloca que este óleo ajuda a eliminar a tristeza, aflições e desgostos. Gera mais energia e vigor, aumenta a criatividade e o otimismo.

 

 

 Bibliografia consultada:

Corazza, S. Aromacologia – uma ciência de muitos cheiros. São Paulo: Senac, 2002.

Davis, P. Aromaterapia. São Paulo: Martins Fontes, 1996.

Farias, F., Duarte, J. Apostilas da cadeira de Aromaterapia – material não publicado: Unisul, 2006.

Silva, A. R. Tudo sobre aromaterapia. São Paulo: Roca, 2001.

Ulrich, H. N. Manual prático de aromaterapia. Porto Alegre: Premier, 2004.

 

 

Para compreender o Mecanismo de ação dos óleos essenciais, veja posts Aromaterapia: Fragrâncias no ar e Óleo essencial e essência.

 

 

Márcia Watanabe Hitaka é naturóloga, pós-graduanda em Acupuntura. Para conhecê-la um pouco mais, acesse: Profissionais.

 

 

(Crédito da imagem: isadoralaureano.blogspot.com)


Preparando chás

 

Por Márcia Watanabe Hitaka

 

Com as temperaturas mais baixas, uma xicara quentinha de chá é muito bem-vinda! Vamos falar um pouco sobre esta bebida, o que é, formas de preparo (com plantas frescas e desidratadas) e indicações.

 

CHÁS

É a forma mais conhecida e usada, de ingerir os princípios ativos das plantas, frescas ou secas, através da água.

 

UTENSILIOS INDICADOS

  • Preferível utilizar panelas ou utensílios de barro, louça, vidro ou esmaltados;
  • Preferível toma-los ao natural. Caso sinta a necessidade de adoça-lo, usar o mel de abelha;
  • Não guarde chás prontos por mais de 24 horas, pois além de perderem os seus princípios ativos, tendem a fermentar, causando problemas gástricos e intestinais;
  • Se estiver utilizando-o como tratamento, após 10 a 15 dias, é indicado a troca da planta medicinal, por outra de valor terapêutico semelhante, devido a diminuição da eficácia por uso prolongado.

MODO DE PREPARO – Plantas frescas, de origem orgânica

Tisana – método utilizado para as folhas mais durinhas e arbustivas . Colocar a água para ferver. Quando estiver fervendo, acrescentar as ervas trituradas. Tampar e deixar ferver por 3 minutos. Se forem desidratadas, deixar ferver por 5 minutos. Retire do fogo, deixando em repouso por alguns minutos. Depois é só coar e servir.

Decoccão – indicado para casca, raiz, bulbos, alho e sementes. Colocar a planta na água fria, levar para ferver em fogo baixo por até 15 minutos. Retire do fogo, deixando em repouso por alguns minutos. Depois é só coar e servir.

Infusão –  indicado para as partes delicadas das plantas: folha, flor e brotos. Colocar água fervente sobre a planta contida em recipiente de vidro ou porcelana. Tampar, mantendo em repouso por 10 a 15 minutos. Coar e servir. Recomenda-se que seja ingerida logo após a sua preparação, pois são utilizadas as plantas e partes aromáticas, que são mais voláteis.

 

MEDIDAS/ DOSAGEM

  • Para 1 litro de água, acrescente 2 colheres de sopa da planta desidratada ou 3 ramos da planta fresca
  • O chá pode ser tomado quente ou frio, só não guarde-o pronto, por mais de 24 horas;
  • Não exceda a ingestão de 1 litro por litro;
  • Para tratamento, usar somente uma planta de cada vez.

EFEITOS TERAPÊUTICOS

Os chás produzirão efeitos terapêuticos se tomados com regularidade, dosagem correta e em horários certos, de acordo com os seus princípios ativos:

  • Desjejum –  chás que agem como depurativos, diuréticos e vermífugos. Indicações: Dente-de-Leão (Taraxacum officinale), Cavalinha (Equisetum arvense), Guaco (Mikania glomerata Spreng.) ou Tansagem (Plantago major L.);
  • Duas horas antes e duas horas depois das principais refeições – chás que agem como antirreumáticos, hepatoprotetores, neurotônicos, anti-piréticos e anti-tussígenos. Indicações: Dente-de-Leão, Capim-Limão (Cymbopogon citratus), Guaco, Tansagem;
  • Meia hora antes das principais refeições – chás digestivos e antifermentativos. Indicações: Carqueja (Baccharis trimera), Boldo-do-Chile (Pneumus boldus),  Dente-de-Leão, Menta ou Hortelã (Mentha piperita);
  • Após as principais refeições – chás digestivos e antifermentativos. Indicações: Carqueja, Boldo-do-Chile, Dente-de-Leão, Menta ou Hortelã;
  • Antes de deitar – chás sedativos, calmantes e laxativos. Indicações: Camomila (Matricaria recutita), de sementes de Erva-doce ou Anis (Pimpinella anisum), flores de Macela (Achyrocline satureoides) ou folhas de Melissa (Melissa officinalis).

Para saber um pouco mais, leia também o post: As diferenças entre chá Verde, Branco, Preto e Vermelho.

 

Bibliografia consultada

AZEVEDO, E. Trofoterapia e Nutracêutica – Dietas e orientações nutricionais com base nas Medicinas Tradicional e Complementar. Blumenau: Nova Letra, 2007.

FARIAS, F.; GAIO, T. Apostila da cadeira de FITOTERAPIA – Orientações básicas de plantas medicionais – material não publicado – curso de Naturologia Aplicada, Unisul, 2001.

 

 

Márcia Watanabe Hitaka é naturóloga, pós-graduanda em Acupuntura. Para conhecê-la um pouco mais, acesse Profissionais.

 

 

(Crédito da imagem: M.W. Hitaka)