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Óleo essencial de Alecrim

 

Por Evellyn Stimamiglio Wagner

 

História, Simbolismo, Propriedades, Constituintes químicos e Indicações

 

Nome cientifico: Rosmarinus officinalis

Nativo da região mediterrânea, é conhecido como “orvalho do mar” (nome que vem do latim ros marinus) por estar localizado próximo a praia e em terrenos pedregosos, rochosos e receber respingos de água marinha, mas também pode se desenvolver em hortas e jardins.

Prefere um clima mais seco, ensolarado e fresco, e quando cresce em solo calcário, seco, arenoso, pobre em nutrientes e bem drenado as qualidades aromáticas são mais acentuadas. Noites quentes favorecem o crescimento da planta, enquanto que a umidade elevada, períodos chuvosos, nevoeiro e baixas temperaturas reduzem o teor dos óleos essenciais.

As partes utilizadas para extração do óleo essencial são as folhas e flores. As folhas são aromáticas e confere uma coloração esbranquiçada e de cor verde na parte superior. As flores são de uma tonalidade azul-clara, agrupadas em inflorescências axilares em forma de cacho.

Segundo a lenda popular, as flores eram originalmente brancas, mas se tornaram azuis depois que a Virgem Maria pendurou seu manto azul num arbusto de alecrim, enquanto a Sagrada Família descansava da fuga para o Egito.  A fuga ocorreu após um anjo avisar em sonho a José que era para fugir com sua família, pois Herodes, o rei da época, iria pegar o menino Jesus e outras crianças recém-nascidas para matar, depois de saber que havia nascido o grande salvador.

Vemos que, na religião cristã, a Virgem Maria sempre é apresentada vestindo um manto azul, e então relaciono essa cor como um simbolismo de “proteção”, considerando o Rosmarinus officinalis, da qual compete esse tom azul, como um valor místico de cultos religiosos. Não é à toa que em cerimônias religiosas, durante a Idade Média, a planta era usada como incensos para espantar maus espíritos e as pessoas que habitavam a França e Itália levavam consigo ramos de alecrim como amuleto para atrair bons fluidos, ajudando na purificação dos pensamentos para desenvolver intenções positivas e aderir a proteção do divino.

Hoje, popularmente é usado como protetor para afastar o “olho gordo”, ou seja, o descontentamento da felicidade de outrem. A planta traz boa sorte e proteção contra magia e bruxaria.

Antigas civilizações lançavam plantas ao fogo obtendo da fumaça efeitos estimulantes e calmantes, ou utilizando na forma de incensos em rituais ou como anti-séptico no processo de mumificação e preparações cosmetológicas e como tratamento de ferimentos dos guerrilheiros gregos durante a batalha.

A rainha Elizabeth da Hungria, aos setenta anos, recebeu de um anjo (ou monge) uma receita a base de alecrim (Rosmarinus officinalis) para recuperar a saúde quando estava paralítica e sofria de gota. Nas bibliografias de alguns autores lidos, referem o uso do alecrim (Rosmarinus officinalis) para patologias relacionadas ao tecido muscular e articulações como cãimbras, reumatismo, artrite e gota; fadiga e dores musculares, conferindo as propriedades antiinflamatórias, analgésicas e antiespasmódicas acreditando-se nos bons resultados obtidos pela rainha com o uso da solução rejuvenescedora, adquirindo novamente sua saúde, beleza e alegria.

Além disso, o rejuvenescimento da rainha também se deu em razão do alecrim (Rosmarinus officinalis) ter efeitos em relação à juventude e vida, sendo usado como água de colônia para limpeza da pele, no qual foi um importante ingrediente da Água da rainha Elizabeth da Hungria, loção que ficou famosa na cosmética da época, pois a rainha lavava seu rosto todos os dias com essa colônia tendo uma reputação pela sua beleza devido à idade avançada. Por esta razão, este óleo essencial pode ser usado como um “tônico-adstringente” para disfunções de pele como, por exemplo, acne, pele oleosa, abscesso e eczema.

A eficácia quanto à juventude e a capacidade de limpeza da pele se dão pela ação anti-séptica presentes nos monoterpenos, sesquiterpenos, álcoois e óxidos que se apresentam em maior quantidade na planta. A presença de cetonas caracteriza o efeito de regenerador celular e os flavonóides e diterpenos tem qualidades antioxidantes, protegendo o organismo de radicais livres, no qual são responsáveis pelo envelhecimento precoce.

Ademais, o Rosmarinus officinalis pode ser utilizado para tratamento do couro cabeludo, como caspa, escabiose, piolho, seborréia, queda de cabelo, cabelos danificados e quebradiços a fim de deixá-los mais saudáveis e brilhosos, restauração da cor dos cabelos grisalhos, podendo-se relacionar com o aspecto de juventude e rejuvenescimento já que os cabelos brancos são considerados um sinal típico de velhice, crescimento capilar e até mesmo para a calvície, apesar de que este último pode ser apenas efeito lendário.

O alecrim (Rosmarinus officinalis) era usado em defumações nos hospitais da França nos anos de 1900, sendo assim, queimado nas alas e dormitórios de pessoas enfermas como um desinfetante, devido as suas propriedades anti-sépticas ou seja, purifica o ar e previne infecções. Durante a Idade Média, as pessoas carregavam ramos de alecrim ao redor do pescoço caso passassem por lugares suspeitos de peste. Tem ação de impedir a proliferação de micróbios, pelas propriedades antifúngicas, anti-sépticas bactericidas e parasiticida, pode ser utilizado como repelente no caso de sarnas, piolhos e traças.

Os antigos colocavam ramos da planta nas roupas para espantar traças e mulheres secavam suas vestimentas em cima da plantação tanto para espantar as traças quanto liberar o aroma através do calor do sol e hoje em dia têm sido usados sprays e saches feitos de óleo essencial para serem guardados em gavetas e guarda-roupas como aromatização e dedetização.

Considerado um ótimo estimulante do cérebro em virtude da presença de sesquiterpenos e ésteres e já ter sido usado com esse objetivo pelos estudantes da antiga Grécia, principalmente em época de exames, o óleo de alecrim (Rosmarinus officinalis) auxilia na concentração, promove centramento da mente e auxilia em casos de perda de memória ou memória fraca, desenvolve criatividade, ajuda a tranqüilizar pensamentos excessivos, traz clareza mental e favorece equilíbrios emocionais. Propicia nossa força interior e clareza mental, em relação às questões que precisam ser revistas e respondidas.

Promove insights, percepções e reduz o estresse. Motiva a intuição, aumenta a sensibilidade a situações, ajuda a ampliar o ato de visionar e estimula a meditação e a lembrança.

No antigo Egito era queimado como incenso, colocado em túmulos egípcios e usado como símbolo de morte em funerais, garantindo aos mortos uma permanência tranquila no além e recordando a vida anterior, caracterizando o ritual dos mortos pela esperança de ressurreição simbolizando, portanto, a imortalidade.

Além do mais, Roma e Grécia consideravam o alecrim uma planta sagrada e um presente da deusa do amor, Afrodite, sendo símbolo de fidelidade, amor e amizade, pois eram usadas grinaldas de alecrim pelas noivas nas cerimônias de casamento e na cama nas noites de núpcias para garantir prazer, sendo que alguns autores expõem a propriedade de tônico sexual para impotência. Já na Grécia e Roma, os casamentos e ocasiões importantes onde faziam promessas solenes, guirlandas e cocares de alecrim eram usados para simbolizar confiança e constância. No entanto, o óleo essencial pode impulsionar a fé e a alegria do amor, não somente o amor entre cônjuges, mas também a união entre as pessoas.

 

 

REFERÊNCIAS:

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Leia também os posts: Fragrâncias no ar e Óleo essencial e essência.

 

 

Evellyn Stimamiglio Wagner é naturóloga, pós-graduanda em Acupuntura. Para conhecê-la um pouco mais, acesse Profissionais.

 

 

(Crédito da imagem: http://www.plantasonya.com.br/hortas-e-medicinais/alecrim-2.html).

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